quarta-feira, outubro 26, 2005

Escritores e leitores



Cenas de leitura

Falar sobre a leitura é sempre um grande e fascinante desafio. Por muitas e incontáveis razões. A primeira, e talvez a mais instigante, diz respeito ao público com o qual me proponho a conversar: professores e professoras, há muito leitores e leitoras de suas trajetórias profissionais e de suas próprias histórias de vida.
Vivenciar os desafios de formar leitores em uma sociedade globalizada, que se move freneticamente num circuito de milhares de informações vindas de muitas fontes e lugares, já é suficiente para nos deixar atordoados. Como processar e selecionar aquelas leituras que mais nos tocam e nos dizem respeito, dentro desse espetaculoso cenário?
Eis algo que, de partida, angustia esta geração, recaindo de forma ainda mais ruidosa na formação dos leitores que, no espaço escolar, encontram na figura do professor, ou da professora, o(a) mediador(a) da tarefa de compreender e selecionar, em meio a esse arsenal de dados, o que há de mais essencial para conduzir uma tarefa dessa natureza.

terça-feira, outubro 25, 2005

Contadores de histórias


Narrar é um ato inventivo, seja para contar o acontecido ou apalavrar o imaginado. E toda a sua invenção reside no detalhe: evidenciar uma palavra, iluminar uma pausa, desdobrar um gesto, incorporar a participação dos ouvintes, buscar um tom de voz, encaixar um comentário, introduzir uma personagem, arquear as sobrancelhas... Desenrolar o enredo e enredar as palavras são as duas páginas da mesma folha. O ouvinte não se envolve apenas com o rumo dos acontecimentos, mas também com o rumor das palavras.
Muitas vezes, num ambiente familiar, relembramos uma anedota e pedimos para que uma “certa pessoa” narre o conto humorístico. Esta “certa pessoa” é escolhida, porque já demonstrou, em outras ocasiões, a sua capacidade inventiva no ato narrativo. E todos revisitam a velha anedota e todos reencontram a sempre nova alegria do pensamento sutil e do trocadilho surpreendente.
Para crianças e adolescentes, narrar, poetizar, cantar, jogar com as palavras – tudo isso é um sedutor exercício de investigação e experimentação. E onde existem investigação e experimentação, sabemos nós, educadores, aí está o terreno para a construção do conhecimento. Aqui está, portanto, a nossa aventura partilhada.